Taxa de criminalidade pela cidade

São Paulo, por exemplo, teve taxa de 8,02 homicídios por 100 mil habitantes em 2017; o Rio, que vive uma crise de segurança pública, viu sua taxa crescer de 29,4 em 2016 para 32 homicídios ... RESUMO-Tema recorrente e sensível à maioria da população brasileira, a segurança pública nunca esteve tão presente nas rodas de discussão e no cotidiano do país.Neste sentido o artigo busca analisar a questão da criminalidade sob perspectiva diversa daquela habitualmente tratada. A intenção de o estudo é analisar o problema sob o contexto em que estamos inseridos enquanto ... O conceito de Crime e Criminalidade para agentes de segurança da cidade de Curitiba El concepto de crimen y criminalidad para los agentes de seguridad en la ciudad de Curitiba The concept of crime and criminality for agents of security in the city of Curitiba Camilla Silva Baltazar Universidade Positivo, Curitiba, PR, Brasil. Em relação à população, a taxa de homicídios de 2017 foi de 3,4 por 100 mil pessoas - muito abaixo dos 30,7 registrados na década de 1990. Para comparação, essa taxa foi de 30 no Brasil ... No ano passado, a taxa de homicídios a cada 100 mil habitantes ficou em 9,41 – abaixo de dez pela primeira vez na história. Já a taxa de furtos e roubos e veículos, a cada 100 mil veículos, ficou em 560,75. Os números superam os recordes que já haviam sido atingidos em 2017. Na época tínhamos uma taxa de 11,7 homicídios para cada 100 mil habitantes (taxa considerada pacífica pela ONU), entretanto a partir da década de 90 as companhas e propostas de desarmamento aderidas pelo Governo Federal foram responsáveis por um grande impacto nas taxas de homicídios e infelizmente o desarmamento transformou-se em lei em ... Para se ter uma base de comparação, a média nacional é 37,6 homicídios por 100 mil habitantes, sendo que a maior taxa foi a registrada na cidade de Maracanaú, na Região Metropolitana de Fortaleza: 145,7.Esta, portanto, é a cidade com mais de 100 mil habitantes mais violenta do país. Taxa de homicídios: Veja número de assassinatos por cidade do Brasil O levantamento foi elaborado a partir dos dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde. A base do SIM consolida as certidões de registro de óbito emitidas no Brasil no local da ocorrência do evento. Índice de criminalidade baixou para a metade. 15 de Março, 2020. Os crimes registados pela Polícia Nacional cabo-verdiana voltaram a cair em 2019, pelo quarto ano consecutivo, acumulando uma quebra para metade desde 2016, antecipando a meta prevista apenas para o próximo ano, anunciou, hoje, o director nacional, citado pela Lusa. O desemprego e a carência de bens de primeira necessidade das famílias, como a alimentação, são apontados como algumas causas que impulsionam o aumento da criminalidade, em Luanda.

A História da Criminalidade no Rio de Janeiro

2019.12.22 08:17 MinistroPauloCats A História da Criminalidade no Rio de Janeiro

A HISTÓRIA DA CRIMINALIDADE NO RIO DE JANEIRO


O professor de história Carlos Eduardo aponta os fatores que levaram o Rio de Janeiro a se tornar uma referência negativa no que tange a criminalidade.

A seguir uma descrição do que aconteceu em todos os governos desde o final daquele que antecedeu o governo Brizola em diante para entender como é que se deu essa crescente violência do Rio de Janeiro.

Em primeiro lugar eu gostaria de voltar um pouquinho no tempo, quando a capital saiu para Brasília. Eu considero uma tremenda lástima a saída da capital do Rio de Janeiro para Brasília.

Primeiro, porque ela foi baseada numa falácia: que iria desenvolver o Centro-Oeste. Na verdade o que desenvolveu o Centro-Oeste foi o agronegócio. Cidades já existiam e apenas cresceram. Brasília nada produz.

Segundo lugar, tirou o poder de junto do povo. Hoje em dia é impossível você chegar junto de qualquer autoridade para reivindicar qualquer coisa em Brasília, em parte por causa da distância. Quando Brasília foi construída era possível chegar do Rio de Janeiro de São Paulo, de Belo Horizonte em 3 horas. Hoje em dia não existem mais trens passageiros no Brasil. Então você tinha uma facilidade imensa de levar as pessoas até lá, se bem que quando chegassem lá essas pessoas também não teriam mobilidade, mas era possível chegar.

A cerca de quatro anos depois da construção de Brasília esses trens foram suprimidos. Então Brasília hoje é um lugar isolado. Ninguém vai para Brasília por menos de 3-4 mil reais. Quando a capital saiu daqui, foi para Brasília, o poder se distanciou do povo.

Surgiu então uma questão secundária: o que fazer com isso aqui. A PDF - Prefeitura do Distrito Federal - foi criada ainda no tempo do Império, no tempo das diligências, através do ato adicional que criou o Município Neutro, que não fazia parte do estado do Rio de Janeiro.

Então eles resolveram criar um novo estado aqui: o estado da Guanabara. Esse estado da Guanabara teve um governador que foi talvez um dos melhores governadores que o Brasil já teve chamado Carlos Lacerda. Ele não era perfeito, cometeu grandes erros, mas Lacerda foi um exemplo, um divisor de águas na administração pública brasileira.

Um desses erros que infelizmente Lacerda cometeu foi a política de erradicar algumas favelas extremamente incômodas, as populações consideradas problemáticas que ficavam na Zona Sul da cidade e transferir essas favelas para grandes conjuntos habitacionais na Zona Oeste na zona rural da época.

Então depois de Lacerda tivemos o governador Negrão de Lima, que foi um governador absolutamente apagado, e tivemos o governador Antônio de Pádua Chagas Freitas, que era dono do jornal O Dia. Na época era um jornal popular do tipo que se espremesse saía sangue. Hoje tem uma linha editorial totalmente diferente, mas antigamente era mais especializado em funcionários públicos e outras notícias assim.

Pois bem, esse governador Chagas Freitas era um governador extremamente impopular. Ele ficou dois mandatos, um pelo estado da Guanabara, depois ele ficou mais um tempo como governador do estado do Rio uma vez que houve fusão do estado do Rio de Janeiro com o estado da Guanabara.

Quando houve essa fusão, o tipo de política que se fazia no estado do Rio de Janeiro era bastante ruim, baseada em na figura dos chamados coronéis. A política do Rio de Janeiro era muito personalista, e esse tipo de política é baseado em compra de votos, nomeação de cargos públicos, de funcionários públicos sem concurso apenas por conhecer um político. Esse tipo de vício político invadiu estado da Guanabara e ao mesmo tempo a riqueza do estado da Guanabara - que era o segundo estado mais rico da federação e participava com mais de 30 por cento da economia do Brasil - essa riqueza toda passou pra esses políticos do interior.

Nesse contexto nós tivemos o segundo governo do Chagas Freitas e aí veio o processo chamado Abertura. Então o governador Brizola voltou. Brizola era um antigo conhecido dos cariocas. Brizola uma vez boicotou a vinda do chamado feijão preto para o estado da Guanabara. Por uma particularidade que eu não sei explicar porquê, o Rio de Janeiro é o único estado da federação que o feijão preto é a base alimentar. O feijão preto era plantado no Rio Grande do Sul apenas para abastecer o estado do Rio de Janeiro. Nos outros estados o feijão preto é consumido mais como exceção, mas aqui é consumido diariamente, inclusive tem muita gente que como feijoada diariamente. Mas enfim, o Brizola, então governador do Rio Grande do Sul, por várias maneiras conseguiu impedir a vinda de trens, de caminhão, de navegação de cabotagem com gêneros alimentícios para o estado da Guanabara.

Embora a capital oficialmente já tivesse saído para Brasília, a capital de facto ainda era aqui. Tanto é que no dia 31 de março, o saudoso general Olímpio Mourão Filho desceu de Juiz de Fora para colocar fim ao comunismo de João Goulart. Ele desceu para o estado da Guanabara.

Muitas estatais estavam aqui, muitos ministérios estavam aqui e há até hoje: a Petrobrás está aqui, a Ancine está aqui, acho que o IPI também, o Instituto de Pesos e Medidas, a Biblioteca Nacional, o próprio Museu Nacional que pegou fogo, o palácio da Quinta da Boa Vista, ainda tem muita coisa federal aqui.

Quando os militares abriram as portas, o senhor Leonel Brizola, que foi o homem escolhido para implantar o comunismo no Brasil, um comunismo do tipo cubano, esperou um tempo para ter certeza que teria segurança.

Ele era um homem que, pelo rádio, conclamava o povo incitava o povo a fazer pequenas milícias de guerrilha para derrubar o governo militar, aliás ele tramava para derrubar o próprio cunhado dele João Goulart - era completamente obcecado pelo poder.

Esse homem perturbou imensamente o governo de Carlos Lacerda. Ele e Brizola eram inimigos figadais, eles tinham um ódio irreconciliável. Mas como Lacerda foi um excelente governador, ele praticamente pavimentou todas as ruas do Rio de Janeiro, ele acabou com a questão da vala negra a céu aberto, ele asfaltou muitas ruas. Infelizmente ele acabou com o bonde, fez algumas coisas erradas. Todos esses conjuntos habitacionais foram também muito ruins, mas de um modo geral, só o fato de ele acabar com o problema da falta d'água já foi uma coisa maravilhosa.

As pessoas contavam, eu escutava isso das pessoas antigas e ficava imaginando: pessoas que tinham que trabalhar às seis horas da manhã no dia seguinte levantavam às 5 horas da manhã, eles ficavam acordados na calçada das casas até meia-noite às vezes, até uma hora, esperando barulhinho de cair um ou dois palmos de água na caixa d'água.

Isso era o Rio de Janeiro antes de Lacerda, havia o racionamento. Eles um dia apagavam a Zona Sul, no outro dia apagavam o Centro. Imagina as pessoas que estivessem dentro dos elevadores!

Havia uma hora certa que a luz seria desligada então a Light orientava todos os motorneiros de bondes a destrancar os cruzamentos. O negócio era muito bem cronometrado para que não acontecesse dos bondes pararem justamente dentro dos cruzamentos. E depois nos outros dias eles apagavam a zona rural e a Baixada Fluminense.

A Light era concessionária tanto do estado da Guanabara como de parte do estado do Rio. O consumo era muito pequeno por aqui então eles apagavam tudo junto e o Lacerda conseguiu acabar com isso. Fez uma termelétrica em Santa Cruz.

Então o povo começou a gostar muito do Lacerda e ao mesmo tempo começou até essa ojeriza do Brizolismo.

Mas em 1980, de repente Brizola volta. Na eleição Brizola era considerado um azarão a a pessoa mais cotada para ser a governadora era a deputada, na época a ex-ministra da Educação, professora Sandra Cavalcanti, que era da linhagem política direta de Carlos Lacerda.

Sandra Cavalcanti já estava praticamente eleita quando de repente acontece uma reviravolta na mídia e a contagem dos votos revela Brizola com 32% dos votos! Muito estranho!

O voto era feito de papel e quem contava o voto eram apenas funcionários públicos, a esmagadora maioria. Na hora de contar os votos tinham fé pública, ou seja, o que eles diziam que tinha na urna era aceito sem questionamento.

Os títulos de eleitor que tinham digital da pessoa, tinham apenas uma foto que muitas vezes era a foto de infância. Então o processo eleitoral foi bastante turbulento. A apuração demorava muito em lugares extremamente quentes e abafados e as pessoas contando votos de muita má vontade, embora o funcionário público ganhasse dias para fazer aquilo. Era uma fraude tremenda em todos os níveis. As pessoas hoje reclamam da urna eletrônica mas as pessoas não têm noção do que era a fraude no voto de papel.

De repente, no segundo turno Brizola se elege com 32-33% dos votos. Ninguém teve maioria absoluta. Carlos Lacerda tinha morrido seis anos antes e a memória dele ainda estava recente. Mas a professora Sandra Cavalcanti era da linhagem direta dele e foi alijada do sistema.

O governador Chagas Freitas havia se envolvido numa coisa que eu considero um dos maiores erros políticos no Brasil que é praticado desde o presidente Marechal Hermes até os dias de hoje: a política dos grandes conjuntos habitacionais.

Esses grandes conjuntos habitacionais eram conjuntos pra mil, 1700, 1800, 2300 famílias. O MDB na época viu que os grandes conjuntos habitacionais no Rio eram um celeiro de votos. Muitos políticos viram e perceberam isso então eles faziam todo um esquema de obras parciais.

O que eram essas obras parciais? Por exemplo: pavimentar uma rua até a metade e essa pavimentação acabaria exatamente no dia da eleição. Colocar água numa rua até a metade e iluminar uma rua até a metade. Isso gerava muitos votos.

Então eles deixaram todo o esquema pronto para o Brizolismo se implantar. O Brizolismo chegou e pegou essa população extremamente carente e extremamente cansada de mentiras, vivendo em condições péssimas.

Um dos pilares do Brizolismo, que acabou sendo um dos pilares da esquerda hoje, é a militância a nível local, a capilaridade - isso falta muito à nossa direita hoje. Eles colocavam ou pegavam ali naquela rua quem era o sujeito mais ligado pra fazer essas coisas, tipo falar em público, com disposição pra contato com as autoridades, capaz de fazer abaixo-assinado, etc.

Pegava aquele sujeito e dava o telefone do Palácio e aí, para surpresa de todos, aquele sujeito ia num orelhão - na época ninguém tinha telefone em casa - e telefonava para o palácio e, por incrível que pareça, o senhor governador Brizola atendia pessoalmente.

Atendia esse cidadão que fazia a queixa lá de alguma coisa e no dia seguinte o governador passava por cima de prefeitura, passava por cima de secretarias, passava por cima de todos os órgãos para executar aquele serviço.

A Constituição de 67 dizia que nas capitais e nas grandes cidades e nas áreas de segurança nacional, o prefeito seria nomeado pelo governador. Isso é um cenário maravilhoso se você tivesse todos os governadores alinhados. Mas de repente você tem um Brizola governador, então o prefeito aqui era chamado na época pelos jornais com um apelido pejorativo - "domésticas" - era um tanto preconceituoso. Então tinha o "empregadinha" do governador, "doméstica" do governador de modo que a prefeitura era uma ficção jurídica e o estado era que mandava.

Esses grandes conjuntos habitacionais rendiam milhares e milhares de votos. Esse é o primeiro ponto. Foram essas pessoas que faziam a ponte direta entre o partido PDT.

O segundo ponto que firmou Brizolismo, mas extremamente nocivo à população, foi não combater mais o narcotráfico. Então há a partir dali a venda de drogas, de qualquer tipo de entorpecente. A cocaína na época ainda era uma droga cara demais, se vendia bem pouco. Mas a maconha sempre foi mais barata e mais fácil de produzir.

Enfim então foram dadas ordens explícitas à Polícia Militar do estado do Rio de Janeiro que não subisse o morro, que não combatesse os traficantes de drogas. Isso aí nas favelas que ficavam nas regiões ricas da cidade, a Zona Sul, no Centro. A Zona Norte na época não estava tão favelizada como hoje em dia. Assim, além do consumo local começou a ter um consumo de uma elite, classe média, que começou a parar ali e comprar.

O terceiro ponto do Brizolismo é o funcionário público. O Brizolismo não tinha qualquer tipo de responsabilidade financeira com o Erário. Em outras palavras eles colocavam aumento em cima de aumento do salário do funcionário público. Pra você ter uma idéia nós estávamos na época com taxas de inflação volta de 16 a 20 por cento ao mês. Talvez um pouco menos. E todo mês havia reajuste automático sendo que a cada três ou quatro meses mais uma folha complementar.

Imagina você gastar todo seu dinheiro, completamente afogado em dívidas e de repente vem o seu patrão, que é o governo do estado, governo do município, e diz "agora você vai ter dois pagamentos de salários". Então foi o caso de amor à primeira vista né!

Quando o Brizola fez alguma pouca coisa certa a gente tem que elogiar: ele fez um rigoroso combate ao funcionário fantasma. Ele combateu muito funcionário fantasma, mesmo porque ele precisava de dinheiro. Talvez não fosse tanto pelo aspecto da moralidade mas por um aspecto estratégico e precisava de dinheiro.

Então funcionário público teve acréscimo do padrão de vida dele que foi absurdo e isso fez o terceiro pé do Brizolismo.

Então você tem funcionários públicos completamente fanatizados, você tem esses líderes comunitários - isto é, mais tarde foram chamados de líderes comunitários mas geralmente eram gente de igreja. Gente da Igreja Católica, formada pela esquerda católica, que se tornaram líderes de ruas e associações de moradores, etc, a começar a formar um poder paralelo.

Você não precisava mais falar com o administrador regional, nem com o secretário de obras, nem falar com o prefeito, dependendo da sua condição só falava diretamente com o governador.

O terceiro ponto que foi essa liberação... liberação tática, obviamente. Não podia liberar da lei mas foi a liberação do tráfico - não só do tráfico mas a liberação ao furto de serviços da concessionária. A Light começou a ter uma uma evasão de energia elétrica imensa mas não podia mais cortar. A CEDAE que era a concessionária de águas e esgotos nem se fala! Os canos passam por debaixo da terra e era tanto gato mas tanto gato que nem a CEDAE sabia mais quanta água estava sendo consumida em determinado bairro.

Tudo isso e ninguém podia cortar o serviço. O sujeito simplesmente recebia conta d'água e engavetava, que não era cortado o fornecimento.

Isso tudo foi criando hábitos: o muro da linha do trem - nós temos aqui um serviço de trens elétricos que foram os últimos dois grandes serviços de trens elétricos que sobraram no Brasil. Começaram a fazer um monte de buracos na muralha da linha do trem e as pessoas entravam na faixa de domínio, ficavam sem pagar o trem, pulavam o muro, faziam buracos, etc. Então se criou essa cultura perversa do não pagar.

Não há como uma sociedade baseada nisso prosperar. Pelo contrário, costumo dizer que o Rio de Janeiro hoje é um cadáver de 35 dias. O Rio de janeiro está podre e já está acabado mas só não desistimos isso aqui primeiro porque nós amamos muito e segundo porque isso aqui é fundamental para o resgate do Brasil. O futuro do Brasil passa por aqui e a terceira coisa, nós temos nossas famílias, temos nossos empregos, nós temos os nossos negócios aqui, apesar de toda a violência, toda criminalidade, ainda sobrevivemos isso aqui.

Por incrível que pareça ainda existem empregos aqui, embora o Brizolismo tenha matado a indústria do Rio de Janeiro a unha. Havia um órgão ambiental chamado FEEMA. A FEEMA destruiu por exemplo a indústria cimenteira do Rio de Janeiro, destruiu a indústria química. Eram multas e regulamentações e não só a FEEMA, qualquer tipo de órgão.

Perto aqui da minha casa existe uma estação chamada Benjamim do Monte e um grupo japonês de estaleiros chamado Ishikawajima fundou uma empresa chamada Ishibrás. Era um grupo que tinha uma montadora de peças para navios. As peças brutas eles faziam junto do mar e as peças mais leves eram feitas numa fábrica aqui em Campo Grande.

Quando foi instalada aqui a primeira coisa que descobriram é que não tinha como tirar a carga porque nas ruas tudo contribuía para travar o caminho dos caminhões. Nem memso pela linha do trem podia mais porque a rede ferroviária proibiu o tráfego de cargas nas linhas de subúrbio.

Então não tinham mais como descer as peças deles de trem - eram peças pequenas, mais sofisticadas, mas pequeno para o navio ainda é muito grande. Então aquilo passava batendo em sinal de trânsito, batia em fiação, enfim, causava problemas com a vizinhança e conflitos.

Depois de 12 anos ele simplesmente abandonaram aquilo e saíram. Largaram tudo e a indústria naval do Rio de Janeiro foi destruída. Hoje em dia eu sei que esse fenômeno não foi apenas aqui no Rio de Janeiro, foi no Ocidente inteiro.

A indústria naval foi destruída nessa época entre os anos 80 e 2000 e hoje a gente sabe o resultado. A indústria naval foi destruída e foi toda levada à China. Não é uma mera coincidência.

O que sobrou de indústria no Rio de Janeiro? Bancos, por exemplo, não temos mais nenhum. Você pensa, por exemplo, naquele piloto de Fórmula 1 que sofreu um acidente terrível nos anos 70 chamado Nikki Lauda. Ele tomou um concorde e veio para o Rio de Janeiro para ser operado pela equipe do cirurgião Ivo Pitangui na Santa Casa de Misericórdia - que aliás tinha uma ala que foi administrada pelo Doutor Enéas Ferreira Carneiro. Foi operada aqui a primeira linha comercial do Concorde, o avião supersônico, foi de Rio de Janeiro a Paris.

E você pensa o que é o Rio de Janeiro hoje? O que virou isso aqui? É triste demais! Eu tenho vontade de chorar. É deprimente, mas isso também não quer dizer que nós vamos entregar os pontos.

Mas porque os governos que vieram depois não foram consertando o que o Brizola deixou? Tivemos quatro anos de Brizola numa época que a Constituição lhe dava praticamente plenos poderes. Ele podia mexer como ele queria com o orçamento, podia dar plenas ordens à Polícia Militar, não tinha Ministério Público, não tinha uma imprensa cáustica no pé dele o tempo todo, não tinha políticos de grande porte que se opusessem a ele.

Então com quatro anos você estraga demais uma sociedade, principalmente uma sociedade que está acostumada à benesse. Ele dava muitas benesses pra funcionário público e donos de associações de moradores e para políticos, deixando-os governarem junto com ele.

Moreira Franco chegou e interrompeu o ciclo Brizola. Moreira Franco foi eleito dentro da onda do Plano Cruzado. Queiramos ou não, Brizola na época foi o único que denunciou o estelionato eleitoral do Plano Cruzado. Esse plano não seria apenas um congelamento de preço. Havia todo um arcabouço ali de cortar despesas públicas e de privatizar estatais - já naquela época se pensava isso - mas o governo Sarney não deixou. Não pagou o preço político e apenas fez o congelamento e o segurou o quanto pôde até às eleições.

Então você tem um Moreira Franco enfraquecido. Ele já não era querido das pessoas. Na eleição do Brizola ele chegou em segundo lugar e tinha sido prefeito de Niterói e muita gente o detestava completamente.

Então o governo Moreira Franco foi um governo fraco. Foi um governo que tentou ainda combater um pouco a bandidagem. Esse mérito tem que ser dado, mas a coisa já estava muito enraizada. Ele ganhou uma antipatia absoluta do funcionário público porque ele fechou a torneira do dinheiro e os salários foram achatados, foram reduzidos à realidade. Muito dinheiro que era mandado para manutenção de escolas e hospitais e outras repartições foi cortado pois o Erário estava completamente falido.

Então quatro anos depois você tem o Brizola 2. Nesse segundo governo Brizola se concentra não mais na política dos CIEPs. CIEPs são escolas em concreto pré moldado que ele dizia que era para 500 alunos, mas na verdade eram dois turnos de 250. O CIEP inaugurou essa essa concepção que nós temos hoje de escola-prisão: você tem que prender a criança dentro da escola, não pode deixar a criança em sua casa, não pode deixar a criança sair... Há 220 dias letivos por ano, então é um público cativo para doutrinação.

Brizola gastou muito dinheiro com CIEPs e Moreira Franco abandonou aquilo. Quando Brizola retoma quatro anos depois, ele pega boa parte do dinheiro do Erário, conclui aqueles CIEPs e começa novas obras de CIEPs e coloca o pé numa nova fronteira política, que é legalizar as grandes invasões de terrenos, grandes invasões de terras.

Então você tinha enormes áreas da zona rural que eram destinadas à agropecuária. Em Campo Grande havia a Manteiga Campo Grande que era vendida pro Brasil inteiro e de repente essas áreas todas se tornam imensas favelas. Um caos absoluto onde cada um, sem qualquer critério, sem necessidade alguma, pessoas que já tinham casa, pessoas que já tinham terrenos e bens, iam lá e pegavam de 4 a 7 lotes cercados com barbante, e 2 ou 3 meses depois o estado desapropriava aquela área e dava títulos de posse a quem quer que fosse.

Em pouco tempo depois nessas áreas, os bandidos e traficantes de drogas, já bastante fortalecidos, colocaram aquele pessoal todo pra fora e tomaram um monte desses imóveis.

Então você hoje tem imensas áreas no Rio de Janeiro que são áreas oriundas dessa situação, com ruas de três metros de largura, sem espaço de arejamento, sem espaço pra escola ou lazer. O lazer lá hoje em dia são bailes feitos pela bandidagem infelizmente. Esse empreendimento foi tomado realmente pelo submundo.

Então aquilo espalhou o caos por todas as áreas. Hoje em dia praticamente não sobra uma área plana no Rio de Janeiro que não tenha sofrido algum tipo de invasão.

Com isso foi reforçada ainda mais a base eleitoral Brizolista. Quando Brizola saiu entrou o advogado Nilo Batista que é conhecido por ser um grande defensor de perseguidos pelo governo militar. Depois do Batista veio o governo Marcello Alencar, que já pegou isso aqui completamente destruído. O próprio Marcello Alencar era filho político de Brizola e depois veio Cesar Maia, que também era filho político de Brizola, fez muito proselitismo com o funcionário público e muito proselitismo com a terceira idade.

Depois veio uma figura completamente obscura que era um simples deputado estadual chamado Sérgio Cabral Filho. O pai dele era do movimento comunista e inclusive teve que deixar o Brasil durante o governo militar. O Sérgio Cabral Filho viu nesse filão aí da terceira idade o nicho de plataforma política no qual poderia conseguir o governo dele.

Depois veio o governo Garotinho. Os Garotinhos são um pessoal que veio de Campos e foi um desastre total para Campos. É aquele mesmo modo de fazer política do estado do Rio daquela época antiga.

Então nós não tivemos ninguém. Só agora o Wilson Witzel começou a enfrentar a bandidagem, coisa que não se fazia com seriedade há muito tempo.

E de fato ele não pode ser penalizado pelo estado de caos depois de 30 anos... 30 anos é mais de uma geração!

As pessoas hoje simplesmente não sabem pensar fora da gaiola. Um exemplo: eu falava com uma pessoa que é autoridade sobre questão de faixa de domínio da ferrovia invadida. Um sujeito simplesmente foi lá e fez o barraco dele em cima dos trilhos. Literalmente, o tráfego foi interrompido por um motivo qualquer e passados alguns anos o sujeito foi lá e fez uma casa. A gente estava falando do ramal de Mangaratiba. Já fizeram 140 casas em cima da linha do trem, que é terra da União. A resposta dele foi "ah mas nós temos que indenizar inclusive são casas boas, não sei o quê, temos que indenizar..."

Peraí como é que é isso? Onde nós estamos? Ele é uma pessoa boa, uma pessoa sensata e honesta, mas as pessoas já não conseguem mais pensar fora da gaiola. Como assim tem que indenizar quem invadiu o espaço público? Tem que indenizar quem edificou no canteiro central de uma avenida?

As pessoas perderam a noção do belo, a noção da funcionalidade do espaço, e também perderam completamente aquela alegria que o carioca tinha. O Rio de Janeiro era uma das poucas cidades nos anos 90 em que você estava andando pela rua e um estranho começava a conversar com você - em cidade grande isso não existe mais em nenhum lugar do mundo.

O Rio de Janeiro foi uma das últimas cidades que teve isso. Hoje isso foi perdido. Hoje o carioca é calado e introspectivo e só se solta realmente quando está em grupo de confiança. Não fala mais, completamente manietado e não sabe pensar diferente daquilo, pois, é claro, durante 30 anos só recebeu esse tipo de doutrinação, inclusive na escola, uma escola feita para imbecilizar. É difícil!

Mas nós temos jeito sim. Nós vamos conseguir dar a volta. Talvez nós não vejamos, talvez seja a próxima geração, mas essa semente tem que ser plantada agora. O país precisa ser limpo, ser preparado agora e
nós nunca mais teremos esse tipo de problema. Teremos outros problemas mas não esse tipo de problema.

https://www.youtube.com/watch?v=lfCFLYm2rDo
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2018.05.27 19:32 ShinobiKrow Imigração Islâmica em Massa: És Contra ou a Favor?

Portugal ainda não foi afectado, mas poderá vir a ser. Basta olharmos para países como a Alemanha, França, Suécia, Bélgica e Inglaterra para ficarmos com uma ideia do que poderá ser o Portugal de amanhã.
Existe uma certa resistência em identificar isto como um problema. Estes países, governados por políticas maioritariamente esquerdinas, recebem de braços abertos todo o tipo de imigrantes sem sequer ponderarem as consequências, ou trabalharem activamente no controlo das mesmas.
Em qualquer um destes países há zonas que são quase exclusivamente muçulmanas. Imaginem irem a uma cidade Portuguesa e não encontrarem um único Português. Ainda que muitos destes imigrantes sejam boas pessoas, a realidade é que dentro destas comunidades existe uma percentagem muito expressiva de radicais violentos, que não estão, de forma alguma, a ser filtrados. Pessoas que contribuem activamente para o aumento das taxas de criminalidade dos países para onde migram e vivem para xuxar nas tetas do estado e dos contribuintes.
Muitos deles não se querem integrar. Querem colonizar. Eles não querem ir para a Suécia e viver de acordo com os valores ocidentais. Eles querem ir para a Suécia e impor os seus valores culturais, nem que seja por meio de violência. Em alguns destes países já existem partidos políticos islâmicos que querem candidatar-se ao poder e implementar a lei sharia. É algo que já está a acontecer na Bélgica.
Os muçulmanos são muito mais apegados à sua cultura do que os ocidentais. Enquanto uns forçam a entrada, os outros vão tirando as trincas da porta, intoxicados pela ingenuidade, ignorância e inocência que os leva a crer que defender os seus valores culturais e o seu país é algo que faria de si racistas.
Falar de imigração é tabu em muitos dos países mais afectados. A população tem medo de se manifestar. Quando confrontados com o tema, tentam evitá-lo, e recusam-se a estabelecer qualquer tipo de ligação entre imigração e criminalidade.
A nova geração é composta maioritariamente por liberais progressistas que age em conformidade com as emoções e não com a lógica. Em Londres, as marchas em defesa do direito das mulheres são também em defesa do Islão. As mesmas mulheres que defendem os direitos das mulheres recusam-se a admitir que o Islão oprime as mulheres. Evitam perguntas associadas ao tema, ou, simplesmente, negam que tal seja verdade. É o mesmo que eu marchar contra o racismo e ao mesmo tempo a favor do KKK. Sim, já chegámos a esse nível de lavagem cerebral.
Existe um problema e ninguém o reconhece. Querem todos ser modernos, liberais, justos, progressistas. E se para que tal seja possível tenha de se ignorar a realidade, então assim será.
Os governos cada vez mais incitam o seu povo a cometer suicídio cultural. Temos até vídeos da Senhora Angela Merkel a recusar-se a segurar numa bandeira da Alemanha, como se ter orgulho do seu país fosse um grande insulto. Na Alemanha as mulheres até são instruídas a vestirem-se de uma forma mais conservadora para não insultarem muçulmanos. Eles são os convidados, e são eles que estabelecem as regras. E o Zé Poveco, burro e alienado, deixa-se levar na conversa.
Liberdade de expressão é cada vez menos um direito. Podes dizer o que te apetecer, desde que não seja controverso. Se o que tu dizes não é controverso, então a liberdade de expressão é um direito inútil. A única forma de expressão que precisa de protecção é a controversa. A que insulta. As outras não são vítimas de censura. Logo, não precisam de ser protegidas.
Os governos agem cada vez mais no sentido de intimidar e punir todos aqueles que se oponham a este tipo de invasão em massa. Na inglaterra é perigoso demonstrares descontentamento em relação a certas políticas de imigração. A lei não te protege e frequentemente protege aqueles que se queixam de ti e tentam calar-te.
Se estes países não elegerem um Donald Trump dentro de muito pouco tempo é provável que em breve alguns deles se transformem em estados islâmicos.
A minha questão é: Como é que acham que Portugal lidaria com esta problemática? E como é que o povo Português reagiria? Cometeríamos também suicídio cultural ou correriamos à paulada quem viesse para cá tentar impor leis religiosas opressivas? Seriamos mais tipo a Suécia ou mais tipo a Polónia?
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2018.05.13 05:26 tiovando Nunca reaja, e morreu.

Nos últimos anos caiu a minha ficha do quão distante nós estamos das instituições que prometem nos proteger. Existe o sentimento que elas estão sempre logo ali para nos defender. Não é assim que funciona. Se você está em casa só, e um desconhecido pula no seu quintal, até você terminar a ligação para polícia o bandido já chegou em você.
E junto com esse sentimento é transmitido o "Nunca reaja!", que a gente sempre vê nos jornais. Se alguém reage e é bem sucedido, eles avisam para nunca reagir antes, no meio, e depois da notícia. Se alguém se da mal, eles levantam os ombros e falam, "é.. então.. nunca reaja", como se dissessem "eu avisei".
A primeira vez que eu questionei essa ideia foi depois de mudar para cidade grande, alguns colegas estavam relatando o contato com assaltantes, e todos eles reagiram de alguma forma. Eu fiquei escandalizado. Depois, eu não consegui entender o porque fiquei escandalizado. Conclui que a ideia de nunca reagir tinha impregnado muito bem na minha cabeça.
As consequências disso é que quando alguém age para se defender, reagindo, a gente fala: "não deveria ter reagido", como se fosse culpa da vítima. E como se vítima não tivesse reagido, significasse que, necessariamente, tudo ficaria bem. E esse é meu segundo ponto. Milhares de pessoas morrem todos os anos sem reagir.
Assim como vi nos comentários da policial que reagiu e qualquer outro onde há reação contra um bandido; as pessoas sempre comemoram que deu tudo certo, mas sempre fazem ressalvas que poderia ter acontecido algo pior. A questão é que já estava acontecendo algo pior! Uma pessoa apontando uma arma para um inocente, com o dedo no gatilho! Essa parte parece tão cotidiana que todo mundo esquece.
Assim como o nunca reaja está impregnado na mente do cidadão, também está na mente do criminoso. Se sentindo justificado pela opinião pública, o bandido já aponta a arma sabendo que pode atirar, caso a vítima reaja. E isso também serve de incentivo, pois ele sabe que pode ameaçar a vida de quem for, sem ter medo de represálias. Isso fica claro quando vemos a surpresa de certos bandidos ao sofrerem a reação, da para ver que eles realmente não esperavam.
Eu nunca vi uma estatística de reação, até porque, uma reação bem sucedida não tem feridos, e a maioria vezes a pessoa não registra b.o. Reagir é um instinto de sobrevivência. Você não deve reagir quando esta com uma arma na cabeça, e o assaltante está te pedindo a carteira, isso não é sobrevivência. Também não é sobrevivência reagir só para não entregar o bem material. Mas você deve ter em mente que em certas situações, arriscar a vida para se defender vale a pena, pode ser a sua única chance de sair vivo. E só você deve ser capaz de avaliar isso, e não o apresentador de jornal que fala pra você obedecer tudo que o bandido mandar. Você está no controle da sua vida, e sua sobrevivência, a escolha é sua.
E é engraçado que da mesma forma que a pessoa confia no bom senso do bandido, ela desconfia do bom senso do seu semelhante, cidadão, que deseja se defender, quando o assunto é posse/porte de armas. O bandido não vai atirar na vítima, mas o vizinho vai atirar pra todo lado e matar todo mundo.
Uma das coisas que eu tirei dessa reflexão, é que eu preciso repensar a minha segurança, e daqueles que são importantes para mim, independente dessas instituições. Da melhor forma, legalmente, possível. É verdade que não há muito o que fazer, no Brasil, onde portar um spray de pimenta é ilegal. Mas tomar consciência disso, já ajuda. E aumentar a segurança da minha única vida em 1%, que seja, é melhor do que não fazer nada.
O brasileiro médio está completamente a mercê das instituições e está morrendo todos os dias. Como sabemos, as taxas de homicídios no Brasil são altíssimas, e caso você seja assassinado a chance de descobrirem e prenderem seu assassino são mínimas. Essas instituições não são dignas da sua confiança, muito menos da garantia da sua integridade física. Para elas, mais do que a sua segurança, é importante que você se sinta seguro.
O brasileiro, apesar de falar da insegurança e criminalidade, parece se sentir muito mais seguro do que deveria. Eu vejo como os gringos, do primeiro mundo, se sentem muito mais inseguros com muito menos, confiam muito menos nas instituições (mais eficientes que as brasileiras), e são muito mais proativos em se prevenir e resolver os problemas na comunidade, sem ficar esperando o governo resolver tudo.
Essa mensagem de nunca reagir, condiz com toda a política e a mentalidade passiva brasileira de entregar a vida, e o monopólio da força, na mão das instituições, e se conformar com péssimo resultado disso.
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2018.03.08 19:19 mateus_ln Operações do Exército no Rio ignoram áreas dominadas por milícias

Operações do Exército no Rio ignoram áreas dominadas por milícias - 08/03/2018 - Cotidiano
Em julho passado, quando o governo federal autorizou o uso das Forças Armadas no Rio por meio de um decreto, o objetivo seria “golpear o crime organizado”, conforme explicou à época o então ministro da Defesa, Raul Jungmann, hoje titular da nova pasta da Segurança Pública.
Por crime organizado, ressaltou ele na ocasião, entendia-se não só tráfico de drogas, mas também milícias e grupos paramilitares que dominam territórios na zona oeste e na Baixada Fluminense.
Hoje, sete meses depois do início das ações com apoio dos militares e tendo ocorrido 20 operações em favelas e zonas carentes do Rio, nenhum território da milícia teve nem sequer uma rua ocupada.
Do total de ações com militares, 11 foram em locais dominados pelo CV (Comando Vermelho), a maior facção criminosa do Rio. Em cinco ocasiões, deu-se prioridade onde há disputa entre CV, TCP (Terceiro Comando Puro) e ADA (Amigos dos Amigos). Outras quatro foram em locais dominados por TCP ou ADA.
Desde que o presidente Michel Temer decretou a intervenção federal na segurança do Rio, em 16 de fevereiro, a cúpula da segurança tem discutido formas de reduzir índices de criminalidade, principalmente roubos de carga, assaltos a pedestres e tiroteios em favelas. Sobre milícias, até agora, nenhum indicativo. No Rio, quem atua contra as milícias são basicamente a Draco (Delegacia de Repressão ao Crime Organizado), as DHs (Delegacias de Homicídios) e o Gaeco (Grupo de Combate ao Crime Organizado), ligado ao Ministério Público.
Por enquanto, ninguém dos comandos dessas instituições foi chamado para conversar com o interventor federal, general Walter Braga Netto, ou o secretário de Segurança, general Richard Fernandez Nunes, responsáveis por tocar a área até 31 de dezembro (prazo da intervenção).
Questionado, o Comando Militar do Leste, responsável pelas operações do Exército no Rio, não se manifestou. MUDANÇA DE PERFIL
Enquanto as autoridades não incluem a milícia no escopo das ações, grupos disputam áreas e mantêm moradores sujeitos a leis próprias em troca de alegada segurança.
Nos últimos anos, as milícias mudaram de perfil. PMs e civis, bombeiros e agentes penitenciários seguem dando as cartas, mas atuam nos bastidores e reduziram presença na linha de frente. Jovens pobres antes cooptados pelo tráfico passaram a ser recrutados pelos milicianos.
Um emissário recolhe semanalmente os valores de extorsão, ainda hoje o principal carro-chefe dos grupos.
“Se colocar um do lado do outro, um traficante do CV e um soldado da milícia, você não vai encontrar diferença. É o mesmo material humano”, disse o delegado Alexandre Herdy, titular da Draco.
As milícias ganharam força no Rio no final dos anos 1990. Inicialmente, eram grupos de policiais moradores locais que, cansados de assaltos e tráfico de drogas em seus bairros, organizavam sua própria força à parte do estado.
O domínio do território virou atividade lucrativa —com taxa de proteção contra crimes, venda de botijão de gás, sinal clandestino de TV a cabo e transporte alternativo.
Os métodos nos últimos anos se diversificaram —elas cobram por qualquer atividade que movimente dinheiro.
Em Campo Grande, zona oeste, motoristas de Uber só circulam com autorização da milícia, mediante pagamento. Em Seropédica, na Baixada Fluminense, ao menos duas fábricas de areia para construção civil foram controladas pela milícia depois que os administradores foram expulsos ao se negarem a colaborar.
Na mesma cidade, cobra-se até de quem for dar festas dentro de casa —conforme a quantidade de convidados.
Em Santa Cruz, na zona oeste, há relatos investigados pela Promotoria de que traficantes pagam propina aos milicianos para poderem atuar livremente. Milicianos passaram a cobrar também R$ 40 mensais pelo gato de luz e ágio sobre galão de água.
A busca pelo lucro está se sobrepondo ao desejo pela ordem, afirmaram à Folha quatro pessoas envolvidas em investigações sobre milícias.
No ano passado, a Draco apurou denúncia de que grupos cobravam até R$ 800 por semana dos operadores de vans clandestinas em Bangu.
“Eles passaram de uma falsa polícia comunitária a quadrilhas de extorsão pura e simples”, afirmou Jorge Furkim, promotor do Gaeco. CARROS ROUBADOS
Uma das novas características é a utilização pelas milícias de carros roubados. No fim de 2017, por exemplo, a Draco recuperou oito carros na favela Bateau Mouche, na Praça Seca, na zona oeste, dominada por milicianos.
Em Nova Iguaçu, na Baixada, há suspeita de que milicianos estejam envolvidos também no roubo de cargas.
O grupo que atua na vizinha Duque de Caxias, por exemplo, se especializou no roubo de combustíveis da Reduc, a refinaria da Petrobras.
O caso mais marcante de mudança é que nas milícias da zona oeste, as mais antigas do Rio, quem chefiava até 2017 era egresso das fileiras do Comando Vermelho.
Os exemplos dificilmente seriam observados nos anos 2000, quando as milícias eram encaradas como braço informal do poder público.
De março de 2010 até fevereiro passado, ao menos 375 pessoas foram denunciadas por crimes relacionados a milícias. Somente no ano passado, 40 foram presas por envolvimento com esses grupos.
Quem não compactua com a milícia é expulso ou desaparece. Do fim de 2015 até agora, ao menos sete pessoas entraram no serviço de proteção à testemunha por ameaças de milicianos.
https://www1.folha.uol.com.bcotidiano/2018/03/operacoes-do-exercito-no-rio-ignoram-areas-dominadas-por-milicias.shtml?
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